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11/10/2009 - Uma “mala” ambiental

(Adriana Czelusniak - Gazeta do Povo)

As sacolinhas plásticas não fazem bem à natureza, mas enquanto não encontramos uma alternativa, nos resta usá-las de forma contida e responsável

Para o meio ambiente, seria melhor que elas não existissem. Mas como acabar com as sacolas plásticas quando estão tão incorporadas ao nosso dia a dia? Ouvimos estudiosos do assunto e a resposta é simples: não vamos conseguir acabar com as sacolas, mesmo porque não há substituto à altura delas. O importante é aprendermos a usá-las de forma correta, sem esbanjar ou desperdiçar.

Se encaminhadas à reciclagem, as sacolinhas podem ser usadas para a fabricação de novos produtos, poupando matéria-prima e energia e impedindo que causem problemas ambientais.

Algumas campanhas sobre o uso responsável das sacolinhas foram lançadas recentemente, mas ainda pairam dúvidas no ar. Por isso, o Viver Bem reuniu dúvidas frequentes sobre o assunto e convidou para esclarecê-las a pós-doutora em Química Ambiental Ana Flávia Godoi, pro­­­­fessora de En­­genharia Am­­­biental da Uni­­­­versidade Federal do Paraná, a diretora da As­­­socia­­­ção Brasileira de Embalagem (ABRE), Luciana Belegrino, e o engenheiro químico Francisco de Assis Esmeraldo, presidente da Plastivida Instituto Socio­­­ambiental dos Plásticos.

Vivemos uma onda de oferta de sacolas retornáveis. Elas devem realmente ocupar o lugar das sacolas plásticas?
Ana Flávia: as famosas sacolas retornáveis, usualmente de tecido ou ráfia, são uma opção para substituir as sacolas plásticas. Mas até mesmo caixas podem ser usadas para acondicionar os produtos, quando se estiver de automóvel. Os antigos carrinhos de feira, que as nossas vovós usavam, podem também ser “ressuscitados” para transportar as compras.

Muitos usam as sacolas plásticas para acondicionar o lixo em casa. Se deixarem de consumir as sacolas, qual será a melhor opção para colocar o lixo?
Francisco: no final do ano passado, o Ibope ouviu 600 pessoas e 71% delas se disseram favoráveis ao uso da sacolinha plástica para o transporte de compras. Todos os entrevistados contaram que as utilizam para o descarte do lixo doméstico, e não há problema nisso. O que precisamos fazer é evitar o desperdício.
Ana Flávia: acho que as pessoas demoraram muito para fazer essa pergunta! É claro que eu também defendo o uso de sacolas retornáveis, mas como consumidora e geradora de resíduos questiono o fato de os sacos de lixo serem igualmente de plástico.
Luciana: se a sacola é usada como saco de lixo também tem sua função valorizada. Não há necessidade de se comprar sacos de lixo plásticos, que trariam o mesmo impacto ambiental. As sacolas têm estrutura adequada para armazenar resíduos. É boa tanto para a saúde de quem as recolhe, como para a sociedade, que não vai ter lixo espalhado pela cidade.

Então é correto tanto usá-las como sacos de lixo quanto reciclá-las?
Ana Flávia: se forem recicladas e reutilizadas como matéria-prima para outros plásticos, estaremos economizando a matéria-prima original, não renovável, que é o petróleo.
Luciana: ela cumprirá seu papel se for usada para armazenar o lixo, mas a reciclagem é importante. Pelo processo ela é 100% picada, moída, derretida e incorporada ao processo de fabricação de um cabide, por exemplo, que é feito da resina plástica virgem ou que advém de outros plásticos. Se os produtos foram feitos da sacola convencional terão boa qualidade e resistência.

Qual a diferença entre as sacolas convencionais e as oxibiodegradáveis?
Francisco: essa é uma questão liquidada no sentido científico. Algumas sacolas são chamadas de oxibiodegradáveis e na realidade não são biodegradáveis porque não se biodegradam. Elas são oxidegradáveis, ou seja, se fragmentam, se esfarelam. Quando a indústria usa esse termo, ilude a população. Elas são um problema, quando viram pó, não podem mais ser coletadas para a reciclagem. Esse pó também é ingerido por bichos, pássaros e peixes. Dá para imaginar a catástrofe ambiental que vai aparecer em alguns anos se o uso das oxidegradáveis continuar.
Luciana: a lei dos oxibiodegradáveis não estudou a fundo essa questão e já há consciência de que essa não é uma solução. É um engano pensar que as sacolas vão se decompor. Nada se decompõe no aterro. Se elas fossem mesmo biodegradáveis, ainda assim não haveria a decomposição, pois qualquer produtos precisa de oxigênio, luz, calor, e micro-organismos, componentes que não estão juntos no aterro. O que chega diariamente é prensado e compactado e, com isso não há penetração de luz, calor e, depois de um tempo, de oxigênio. Um resíduo biodegradável só é benéfico se for encaminhado ao programa de compostagem que controla a quantidade de micro-organismos presentes, o que não acontece hoje no Brasil.




 
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